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8:44 p.m. - 2003-07-18
David Lean

O texto abaixo saiu hoje no Estadão. Realmente, ter assistido esse filme no cinema foi A experiência.
 
As mais belas imagens do deserto
'Lawrence da Arábia', no Cinemax, merece, como poucos filmes, a classificação de obra-prima
 
 
LUIZ CARLOS MERTEN

David Lean ganhou duas vezes os Oscars de melhor filme e direção, pelos filmes A Ponte do Rio Kway e Lawrence da Arábia, em 1957 e 1962.

Mereceu os prêmios da Academia de Hollywood especialmente pelo segundo, que permanece como um dos mais belos superespetáculos do cinema. O super, no caso, é muito importante. Não há home theater que compense a experiência de ver Lawrence da Arábia no cinema e numa tela bem grande, ainda por cima.

O filme que o Cinemax, da TVA e DirecTV, exibe hoje às 12h45,apresenta as imagens mais suntuosas do deserto vistas no cinema. Não representa pouco.

Você pode não gostar de O Céu Que Nos Protege, mas o filme que Bernardo Bertolucci adaptou do romance de Paul Bowles capta imagens deslumbrantes do Saara, na fotografia do iluminado Vittorio Storaro. É quase tão grande quanto Freddie Young, o fotógrafo de Lawrence. A cena em que Lawrence viola o poço no meio do deserto e vê avançar aquele ponto minúsculo no horizonte, que vira o xeque Ali, faz parte das experiências inesquecíveis do cinema.

Lean e seu roteirista, Robert Bolt, basearam-se na autobiografia de T.E.

Lawrence, o oficial inglês que liderou os árabes contra os turcos, na época da 1.ª Guerra Mundial. O livro chama-se Os Sete Pilares da Sabedoria.

Lawrence, homossexual reprimido, era um exibicionista que ondula sua capa branca ao sol. O filme é narrado num longo flash-back, a partir da morte do personagem. O objetivo é claramente desmistificador, mesmo que Lean e Bolt não fiquem imunes ao fascínio do homem que biografam.

Ídolo de George Lucas e Steven Spielberg, que sempre viram nos épicos intimistas de Lean a grandeza do próprio cinema, o cineasta era um cético que adorava filmar as rebeliões, individuais e coletivas, mas duvidava que elas pudessem um dia ser o 'normal' da humanidade. Ele gostava desses personagens confrontados com os ventos da história. Foi um grande, imenso diretor, de filmes também grandes, imensos como Lawrence da Arábia.

obtido em http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2003/07/18/cad031.html

 

 

 

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