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4:48 p.m. - 2006-04-18
John Lee Hooker

John Lee Hooker

Fabricio Muller

 

John Lee Hooker nasceu no Mississipi em 1920 e viveu na área rural quando criança, numa família de muitos irmãos. Cedo começou a cantar gospel, e em 1948 gravou sua primeira música, “Boogie Chillen”, que já foi direto para o primeiro lugar na parada de R&B. Continuou sua carreira com sucesso até mais ou menos o final dos anos setenta, quando o interesse por ele e pelo blues começou a diminuir. Mas em 1989 gravou um disco com vendagem excepcional e grande sucesso de crítica, "The Healer". Dali em diante ele continuou em grande fase, gravando duetos com inúmeros outros artistas. Faleceu de causas naturais em 21 de junho de 2001, aos 81 anos de idade.

 

John Lee Hooker é possivelmente o bluesman que mais gravações fez, ao lado de Lightnin' Hopkins - muitas delas com pseudônimos, por causa de problemas de direitos autorais. Uma verdadeira lenda do blues, ele foi uma grande influência inclusive para roqueiros, como Rolling Stones e Animals (para se ter uma idéia da coisa, ele é membro do Rock and Roll Hall of Fame). Ele era o rei do boogie, um ritmo antigo e simples, onde um acorde é tocado de maneira repetitiva e hipnótica, numtipo de música em permanente suspensão, forte e acelerada.

 

Lançado no exterior apenas em 2004 e agora por aqui, este "Jack O'Diamonds " é definitivamente uma gravação histórica: o disco foi registrado com um gravador DuKane do estúdio do cartunista Gene Deitch em 1949 numa sala de jantar(!) de um clube de Detroit. Na ocasião, depois de cantar as músicas de seu repertório (sua carreira estava bem no início), John Lee Hooker, instado pelos felizes presentes, começou a interpretar antigas canções  que ele aprendeu na infância e na adolescência no Mississipi - incluindo aí alguns spirituals que ele cantava na igreja do pai.

 

Depois de 1949 os dois rolos de fitas gravados na ocasião ficaram guardados (e ouvidos por pouquíssimas pessoas): um destes rolos ficou com o próprio Gene Deitch e o outro com um amigo dele. Em 1999 um fã do cartunista, Paul Vernom, se encontra com Deitch e, durante uma conversa, este se lembra dos rolos - e  acha um deles no porão de sua casa em Praga, na Tchecoslováquia (onde morava desde 1960). Ele então acaba se recordando do outro rolo, que tinha sido emprestado para um amigo há mais de quarenta anos, em meados da década de 50. Por sorte, não só este amigo vivia como tinha guardado o rolo por todo aquele tempo - e o devolveu prontamente para Gene Deitch.

 

"Jack O'Daniels -  1949 Recordings" mostra um John Lee Hooker muito mais suave do que o habitual: o timbre é mais agudo e o violão é tocado com menos força do que nas gravações a que estamos habituados. Mas a partir daqui o crítico já não sabe mais o que fazer. O que falar da sensacional faixa instrumental que abre o disco? O que dizer do absoluto hipnotismo de "Two White Horses"? O que comentar a respeito da gravação da tradicional "Trouble in mind", tão diferente, mas ao mesmo tempo, quase do mesmo nível daquele monumento que é a gravação da mesma música por Lightnin' Hopkins no disco "Autobiography"? Como mandar os nossos pés pararem de bater junto com os pés de Hooker em "Catfish Blues"? O que falar da maravilha que é "John Henry"? O que comentar sobre a gravação de uma das melhores composições de John Lee Hooker, "How Long"? Já cheguei na sexta faixa do álbum, e ainda não sei o que dizer. Melhor parar por aqui - já ouvi esta maravilha dezenas de vezes, e sempre as palavras me faltam.

 

 

 

 

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