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9:21 a.m. - 2002-10-21 Na capa da primeira edição do livro de Thomas Sobre as Mulheres, resenhado brilhantemente por Diderot, foi impressa uma estampa - cujo autor era Charles-Nicolas Cochin (1715-1790). Diderot também resolveu fazer também uma pequena crítica sobre estampa, mas não a publicou e nem mesmo a mostrou para ao autor da mesma. A Bilbliothèque de la Pléiade incluiu este texto, chamado simplesmente Sobre a Estampa de Cochin (Sur L'Estampe de Cochin), na sua edição das Obras Escolhidas, para que o leitor tivesse uma idéia de como eram as críticas de pintura que normalmente Diderot escrevia - e que raramente publicava ou mostrava para os criticados. Em Sobre a Estampa de Cochin Diderot escreve com uma franqueza cortante. Ele diz que Cochin desenha bem, mas compõe mal. Ele complementa ainda que às vezes os homens de letras devem ser consultados, por que nunca um homem de letras faria as bobagens que Cochin fez, e, que se existe um bom número de literatos que não são pintores, há um bom número de pintores que não têm nenhuma poesia. Finalmente, Diderot escreve: Quanto tempo, estudo e talento perdidos! Se eu soubesse fazer o que você faz, faria uma coisa bem diferente! A estampa de Cochin propriamente dita apresentava vários personagens mitológicos juntos: Minerva, Prometeu, o Gênio da Música, homenageando a mulher (não se pode esquecer que esta estampa estava na frente do livro Sobre as Mulheres de Thomas). O que havia, afinal, de tão errado nesta estampa? Diderot escreve: Como tudo está arranjado! É um amontoado de figuras sem verdade, sem espírito, sem efeito, sem caráter definido. Elas são coladas umas sobre as outras, e todas sobre o fundo. Nenhum ar que circule entre elas e que as destaque. Em nenhuma delas, nem a ação, nem a posição, nem a expressão lhes é conveniente. O Gênio da Música parece um anjo em adoração. Minerva não tem nenhuma severidade ou nobreza. Prometeu estava ignóbil, ajoelhado sob as pernas de uma mulher: aonde ele vai colocar o fogo? pergunta com deboche Diderot - ele mesmo responde que não é na cabeça. Vênus tem alguma graça, mas não é linda - não é a deusa, mas sim uma de suas seguidoras. A Pandora tem expressão comum - para que ela tivesse o necessário de bondade e maldade ao mesmo tempo, sua boca deveria estar entreaberta. Vênus não significa nada, não se sabe o que ela faz. O filósofo quer saber por que a mulher está com cara de choro faz meio de tantos personagens benfeitores. Sem contar que ela, a principal personagem da cena, estava de pé - quando deveria estar sentada, pois é dela que todos se ocupam, para ela que todos se apressam e se dirigem. Depois de dar a sua opinião sobre a Estampa de Cochin, Diderot descreve como seria a sua estampa: a mulher estaria no centro da figura, voltando modestamente seus braços para Minerva, enquanto que o Gênio da Música, vindo da mesma direção, estaria rindo e alegre, mesmo um pouco louco. Do outro lado da mulher, Vênus estaria inclinada. As mulheres inclinadas são tão bonitas! Prometeu estaria nobre e orgulhoso, segurando o fogo sobre sua cabeça. Diderot agruparia até quatro personagens, enquanto que as personagens secundárias teriam sido isoladas. Diderot escreve finalmente que seria assim que haveria ação e movimento; que o repouso estaria na figura dotada; que todos os outros personagens seriam deslocados uns dos outros e do fundo; que haveria ar entre as figuras, claridade e interesse no assunto. E é neste ponto, senhor Cochin, que lhe desejo boa-noite. Sobre a Estampa de Cochin tem vivacidade, franqueza, inteligência, humor, além de mostrar claramente o quanto de espírito deve ter a Arte verdadeira. Três pequenas páginas quase esquecidas, mas uma mostra irrefutável do gênio de Diderot. |